segunda-feira, 11 de maio de 2009

Encontros

Diante de seu computador , ele olha o formulário. Acreditando ser útil e eficiente, decide preenchê-lo. Nome, telefone, e-mail, sexo, idade, foto etc. Bom, até aqui, nada de muito.
A segunda parte do cadastro começa a deixar para trás as respostas prontas e adentra um território um pouco menos objetivo. Ele para e observa o questionário. Anima-se. Afinal já está só há alguns meses e seus amigos mais confiáveis aprovaram o site. Inclusive sua melhor amiga está noiva de um rapaz que conheceu pelo mesmo processo, tamanha a eficiência do serviço. Então ele retoma. Orientação sexual, programas favoritos, qualidades e defeitos, o que uma mulher deve ter etc.
Pronto estava para a terceira e última parte quando percebeu o "tom" das perguntas, agora bastante íntimas. O que faz na primeira transa, com ou sem camisinha, sexo oral, posições preferidas, fantasias etc. Aquilo já era demais! Pensou em desistir, porém notou serem questões optativas. Alívio. De qualquer forma, preencheu algumas para levantar a bandeira de moço sério e responsável, nenhuma mentira.
Antes de confirmar o cadastro, duvidou. Será que era seguro? Besteira. A empresa garante sigilo e segurança totais para seus membros. Mas será que daria certo? Claro que sim! O programa foi criado por dois psicólogos especializados em relacionamentos amorosos; pouco provável que não funcione. Confirma.
Instantaneamente aparecem mais de dez opções de mulheres, selecionadas automaticamente de acordo com seu perfil. "Maravilha!", vibrou. Era a tecnologia em prol da felicidade do homem. Chega de encontros ao acaso, essa ansiedade pelo desconhecido, misto de doce e amargo, vulnerabilidade humana. Queria só o mel. Sabe como é difícil se relacionar com sucesso. Sofrimento... não mais. Basta! Não podia perder mais tempo em outra relação incerta.
Seleciona a mais bonita da lista e clica em "Enviar convite". Preenche os dados do encontro. Local, dia, hora etc. "Como este site é completo!", exclama. Finalizou deixando uma mensagem: "Olá! Encontrei vc aqui e espero te conhecer logo. Agora ñ tem erro, rs. bjs"

... ... ... ...

Entra num bar com os amigos. Lugar cheio. Indo buscar uma bebida, esbarra em alguém. Pede desculpas e é respondido com o mesmo pedido. Sorri. Sendo simpático, apresenta-se. "Meu nome é...". Começam a conversar.


Bruno Costa

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

A beleza do trágico

De início, um feliz ano novo! Atrasado. Porém, apenas um mês se passou. Então, desejo que o empenho em cumprir as promessas feitas seja encarnado. Especialmente se você for o prefeito ou um vereador.
Enfim. Neste último ano, o primeiro do blog, pensamos um pouco sobre "nossas" subjetividades, e também sobre as questões e peripécias que nos atravessam. Conversando, percebemos que não somos tão independentes. Que nossos sonhos, ainda medíocres, queremos ou podemos comprar. Que aos Jogos Olímpicos restaram somente o motor mercadológico da competitividade, sem alma, ostentando apenas o gás capitalista. E também que a burguesia não é apenas a camada rica da sociedade, já que diagnosticamos seu discurso engendrado ganhar corpo de norte à sul.
Talvez um olhar apressado leve a acreditar que perdemos a fé na vida e que a sociedade que se desenha no mundo contemporâneo apenas fede e nada mais presta. Nos tornamos niilistas ou somos possuídos por um saudosismo vão, ficando mortificados no tempo.
Nada disso!
Denunciando através das críticas somos capazes de desconstruir uma suposta e robusta verdade. Neste processo, somos impactados e a chance de pensar de outra maneira torna-se viável.
Que em 2009 possamos criar outros olhos, caminhos, horizontes.
Há muita vida a afirmar...

Bruno Costa

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Retrato carioca

O que está havendo com nossa “Cidade Maravilhosa”? Cada vez que ando pelas ruas desse nosso Rio de Janeiro chego sempre à mesma conclusão: CANSEI!
Não agüento mais sair nessas ruas fedorentas, com lixos e mais lixos sendo atirados pelo chão, por essa pobretada porca.
E quanta gente fedida logo pela manhã... um absurdo.
Esses mendigos imundos pedindo esmolas e infernizando o cenário carioca. É claro que, se essa cidade pretende ser maravilhosa, temos que limpar as ruas. Aqui não é lugar para eles. Só sabem lotar os hospitais com dengue, crianças remelentas e adolescentes grávidas.
Falta polícia nas ruas para nos trazerem mais tranqüilidade. Cansei de ver esses pivetes, que deveriam estar na cadeia, roubarem pessoas de bem e que nada tem a ver com suas vidas fracassadas. Lugar de bandido é na cadeia. BOPE nas favelas e Capitão Nascimento neles! Voto pela redução da maioridade penal já!
Quem gosta de estar na praia e ver aquele amontoado de casebres, um em cima do outro, com aquela gente feia e perigosa, enquanto pegamos um sol? Ou até mesmo quando somos surpreendidos pela nefasta presença destes seres, no mínimo suspeitos, fazendo algazarra e sujando nossas praias. Aquelas brincadeiras sem graça, aquela gente feia com seus rádios tocando funk e pagode. Ninguém merece!!! Aqueles cabelos cheios de creme, aqueles bigodinhos safados e cabelos pintados de amarelo. Admitam que não são caucasianos!!! Odeio pobre... Até a praia deveria ser privatizada. Pelo menos o ambiente seria melhor e mais bonito...
Só entendem de prostituição, roubo, tráfico e gravidez.
Picham as ruas, falam alto, não tem educação, brigam, cheiram mal, se arrumam pior, e ainda não tem valores.
Todos fingem não saberem a causa do caos carioca e brasileiro.
Eu digo. A culpa é dos MISERÁVEIS!!!

Ass: um burguês indignado.



Bruno Costa

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Pra mim tem gosto do que é!!!

Olimpíadas, competições, modalidades coletivas ou individuais, o assunto era o mesmo nesse mês de Agosto de 2008. Madrugadas mal dormidas desejando a conquista.
Espírito olímpico no ar; “aquela” expectativa de vitória, de missão a cumprir, de mostrar para o mundo que o Brasil pode e que somos sim um povo que luta.

Será?

Pode ser que para questões relacionadas à torcida, relacionadas ao esporte, pra isso sim o “Brasil” tenha de sobra força de vontade pra lutar. Por exemplo, na última copa do mundo, me recordo que diversas pessoas eram liberadas do trabalho mais cedo para assistirem aos jogos, torcer e fazer voz para que o seu time fosse ouvido! Batiam o pé por isso.
E em dias olímpicos a vontade de ser melhor do que se é, bate forte. Almejamos com toda intensidade a cor dourada, que é o topo mais alto. Choramos juntos, sofremos juntos, nos alegramos juntos, damos o nosso melhor, cantamos o hino juntos, alguns xingam, outros silenciam, mas fato é que poucos ficam indiferente. Não há mal algum em torcer, em ser liberado mais cedo pra ver o time do coração jogar. Mas porque para outras questões como a política, por exemplo, não percebemos esse Brasil tão unido pra reivindicar seus direitos? Por que o esforço não é o mesmo, ou sequer parecido?

Em alguns momentos nas olimpíadas em Pequim a medalha de ouro esvaiu-se entre os dedos quando estava certa da morada que teria.
Motivos pra isso? Diversos: falta de concentração, medo, insegurança, falta de sorte, falta de investimento, falta de fé, etc. Cada um tem a sua versão, além, claro, da nossa condição humana de sermos passível ao erro.
Porém a questão não é falhar, mas sim assumir essa derrota. Muitos discursos tentaram encobrir de forma leviana a derrota digna de alguns atletas. Alguns não queriam se conformar com um amanhecer mais prateado que dourado e diziam aos quatro cantos:
- Ah! Essa medalha pra nós é ouro, tem gosto de ouro e é isso que vale!!
Não a nada de mais em perder, em lutar, treinar e não conseguir. O problema é tentar tampar o sol e não admitir que a medalha, na prática, tem gosto do que ela é. Se ela é prata que seja saboreada como tal. Sabe-se lá o que faltou pra ser dourada? Pode ter sido injusto, mas veio de outra cor, então aceite-a dessa vez e não pra sempre, na próxima faça uma melhor diferença. Porém dê o valor completo para a vitória que conquistou.

Logo após o sonho olímpico, despertamos e deparamos com a realidade de eleições próximas. Será que nesse jogo apostamos todas as nossas fichas também? Será que acreditamos no Brasil e batemos no peito por um futuro melhor?
Quem sabe nos próximos mandatos o governo (escolhido por nós) não invista mais em educação e esporte? Talvez os próximos finais olímpicos sejam diferentes e melhores que esse...

Joyce Abbade

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Quanto vale?

Muito se fala hoje, em nossa sociedade, sobre uma grande mudança de nossos valores. Há ainda quem diga que simplesmente não os temos. Podemos notar grandes variações nos diversos modelos institucionais, como educação, emprego, moradia, casamento, família e, até mesmo a idéia de identidade.
No entanto, fazem-se necessárias algumas reflexões sobre o assunto. Talvez, devêssemos buscar analisar melhor, quais valores operam em nosso meio; percebermos quais pressupostos e preceitos funcionam no mundo contemporâneo. É claro que, não podemos aqui, contemplar a amplitude deste tema. Porém, creio que podemos ponderar acerca de algums lógicas que se fazem valer na atualidade.
Logo de início é preciso constatar o óbvio: nossa sociedade tem como "motor", o consumo. Todavia, um olhar mais aprofundado poderá notar que a questão não passa apenas por uma simples relação "compra-venda" de produtos, mas que, toda noção de liberdade comparece a esta lógica. O livre arbítrio proclamado na era neo-liberal não passa de uma liberdade para consumir. Nas propagandas mais diversas recebemos nossa alforria; "seja quem você quiser", à vista ou à prazo, débito ou crédito. "Aqui você pode!".
Nossos ideais de justiça escarnecem dos movimentos sociais e encontram abrigo no Procon e, nossa cidadania, carrega debaixo dos braços o código de defesa do consumidor. Eis os seus direitos.
A mídia proclama este axioma e captura a vida social, produzindo subjetividades faltantes, ávidas pelo consumo instantâneo e descartável. Um consumo de modas. Das roupas das novas coleções aos mais vendidos best sellers do momento. Na internet, um mundo de informações para você engolir, é claro, sem precisar ter o trabalho de mastigá-las. Imersos estamos no mundo das representações e o pensamento já não se faz mais necessário. O mercado de trabalho modifica-se a cada momento em cursos, livros, revistas e palestras para você se "atualizar" na corrida para ser o próximo Justos. Pura, ou melhor, impura ilusão que assenhoreia nossos sonhos e desonra nossa realidade.Nos tornamos consumidores de tecnologias descartáveis, celulares, televisores, sempre outros quando temos os nossos. Compramos estilos, programas, entretenimento. "Veja o que de legal vai acontecer. Você não pode perder".
Corpos inadequados, fora de forma, mas sempre empenhados em conseguir o corpo perfeito. Cabelos lisos e escovados. Curvas definidas, musculos malhados, calorias contados. Prontos para o consumo, para a cobiçada vaga no mercado das relações. Tarefa ingrata de estar em harmonia com os últimos modelos estéticos lançados pelo Photoshop. Permanecemos incansáveis, porém sempre constrangidos pela eterna inadequação. Modelos divinizados, servos culpados.
Toda essa lógica de ideais, leva, naturalmente, ao processo exclusão das más cópias, os incapazes. Todos os desataptados, pelos mais diversos motivos, são lançados fora. Lixo. Não vale nada. Axioma produtor de violência no cotidiano; das relações invisíveis às mais divulgadas pela imprensa. João Hélio para os assaltantes; empregada doméstica para os playboys; índio para os meninos de Brasília. Não servem.
E pra você? O que vale?

Bruno Costa